Espaço para difusão de informações sobre energia renovável em pequena escala e eficiência energética para uso doméstico.



29 de novembro de 2010

O exemplo brasileiro



Etanol de celulose pode ser a base para produção sustentável de combustível, mostra carta publicada por Carlos Henrique de Brito Cruz e Lee Lynd na Science

É preciso ser otimista para encontrar o caminho que leva à produção sustentável de combustível. De acordo com esse ponto de vista, a pergunta importante é: "Que papel os biocombustíveis avançados do futuro poderiam desempenhar num mundo reconfigurado para fazer frente a desafios relativos à energia?". É o que defendem Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Lee Lynd, do Darthmouth College, nos Estados Unidos, em carta publicada na revista Science desta semana.

Para eles, mesmo com o avanço de outras fontes renováveis de energia, os combustíveis líquidos continuarão a ser imprescindíveis por muito tempo - talvez para sempre -, pelo menos para setores dos transportes como aviação e caminhões que viajam longas distâncias. O etanol de segunda geração, produzido a partir de celulose retirada de bagaço de cana, por exemplo, é o melhor candidato para suprir essa demanda crescente de combustível, como mostram a pesquisa e a experiência brasileiras. Brito Cruz e Lynd argumentam que fazer biocombustível a partir de celulose, e não de acúcares de fermentação mais fácil, é a melhor opção para ao memso tempo criar uma fonte sustentável de energia, reduzir as emissões de gases estufa, assegurar a segurança energética e promover o desenvolvimento econômico rural.

Visões mais pessimistas têm origem sobretudo no cenário menos favorável dos Estados Unidos, em termos econômicos e de produção agrícola. O Brasil tem deixado claro que é possível, com pesquisa e desenvolvimento tecnológico e agrícola, produzir etanol suficiente a partir de cana-de-açúcar para reduzir o uso de gasolina sem prejudicar a produção de alimentos. Experiências positivas como essa, os pesquisadores concluem, precisam ser levadas em conta pela comunidade internacional na busca por soluções energéticas.

Fonte: Pequisa FAPESP Online

22 de novembro de 2010

Um novo caminho para uma economia de baixo carbono


A solução para as alterações climáticas provocadas pelo homem depende da transição para a produção de electricidade

A solução para as alterações climáticas provocadas pelo homem depende da transição para a produção de electricidade que, ao contrário da queima de petróleo, de gás natural e carvão, emita pouco ou nenhum dióxido de carbono - o principal gás com efeito de estufa responsável pelo aquecimento global. A electricidade de baixo carbono pode ser produzida pela energia eólica, solar ou nuclear ou centrais eléctrica a carbono que capturem e armazenem as suas emissões de CO2.

O problema político é simples. O carvão é uma fonte de energia mais barata e de mais fácil utilização do que as energias alternativas. É barato porque é abundante. É mais fácil de usar do que a energia solar ou eólica porque pode produzir electricidade de forma ininterrupta e sem depender das condições meteorológicas.

Para salvar o planeta, precisamos de convencer os fornecedores de energia a adoptar fontes de energia de baixo carbono apesar dos preços baixos e da fácil utilização do carvão. Para alcançar este objectivo, a forma óbvia é taxar o carvão ou exigir às centrais eléctricas que tenham licenças para usar carvão. E definir um imposto ou um preço de licenças, alto o suficiente que leva a empresas a mudarem para energias alternativas baixas em carbono.

Se produzirmos electricidade a partir do carvão a um custo de 0,06 dólares por kilowatt-hora e a energia solar custar 0,16 dólares por kilowatt-hora, o imposto sobre a electricidade produzida a partir do carvão teria que ser de 0,10 dólares por kilowatt-hora. Nesse caso, os consumidores iriam pagar 0,16 dólares por kilowatt-hora, quer a electricidade fosse produzida a partir de carvão ou de energia solar. As "utilities" passariam assim a utilizar a energia solar. No entanto, neste caso, a alteração iria mais do que duplicar a conta de electricidade.

Os políticos opõem-se a este imposto. Temem um retrocesso político. Durante anos, esta postura evitou o progresso dos Estados Unidos no sentido de uma economia de baixo carbono. Ainda assim, diversos países europeus introduziram, de forma bem sucedida, a ideia de uma tarifa "feed-in" (mecanismo político usado para encorajar a adopção de fontes de energias renováveis) que forneça as bases de uma solução de longo prazo politicamente aceitável.

Uma tarifa "feed-in" subsidia as fontes de energia de baixo carbono em vez de taxar as fontes de energia de elevado carbono. No nosso exemplo, o governo pagaria um subsídio de 0,10 dólares por kilowatt-hora para a central de energia solar para compensar a diferença entre o preço do consumidor de 0,06 dólares e o custo de produção de 0,16 dólares. O preço do consumidor permanece inalterado mas o governo, de alguma forma, paga o subsídio.

Outra hipótese é impor um pequeno imposto às centrais eléctricas já existentes para pagar o subsídio à energia solar e aumentar, gradualmente, as contas de electricidade dos consumidores à medida que são criadas mais centrais solares. O preço cobrado aos consumidores subiria gradualmente dos 0,06 dólares por kilowatt-hora até ao custo total de 0,16 dólares por kilowatt hora. Isto ocorreria durante um período de, por exemplo, 40 anos (o período de vida útil da mais recente central de carbono).

Vamos assumir que em 2010 todo o sistema eléctrico se baseia no carvão e que o preço da electricidade paga pelos consumidores é de 0,06 dólares por kilowatt-hora. Em 2014, vamos supor que já alcançamos 10% da transição para a energia solar. O preço do consumidor sobe em 10% da diferença entre 0,06 e 0,16 dólares, sendo assim de 0,07 dólares por kilowatt-hora.
Em 2014, o imposto sobre o carvão é de 0,01 dólares por kilowatt-hora, exactamente o que é preciso para pagar o subsídio solar de 0,09 dólares por kilowatt hora. Os produtores de energia solar cobrem totalmente os seus custos de 0,16 dólares por kilowatt-hora, desde que vendam a energia aos consumidores a 0,07 dólares por kilowatt hora e recebam um subsídio de 0,09 dólares por kilowatt-hora. Um pequeno imposto sobre o carvão pode suportar um elevado subsídio à energia solar.

Vamos supor que em 2030 já completamos metade da transição para uma economia de baixo carbono. O preço que os consumidores pagam agora pela electricidade é de 0,11 dólares, exactamente a metade entre 0,06 dólares e 0,16 dólares. O imposto sobre o carvão subiu para 0,05 dólares por kilowatt-hora, exactamente o que é preciso para cobrir o subsídio solar de 0,05 dólares por kilowatt-hora. Mais uma vez, os produtores solares sobrem exactamente os seus custos, desde que o subsídio de 0,05 dólares por kilowatt-hora seja suficiente para eliminar a diferença entre o preço do consumidor (0,11 dólares por kilowatt-hora) e o custo do produtor (0,16 dólares por kilowatt-hora).

Vamos assumir, finalmente, que em 2050, toda a produção de electricidade completou a transição para fontes de energia de baixo carbono. O preço final do consumidor chega aos 0,16 dólares por kilowatt-hora, o suficiente para cobrir todos os custos da energia solar sem mais subsídios.

Esta abordagem permite que os preços da electricidade subam de forma gradual e define incentivos fortes e imediatos para adoptar a energia solar. Além disso, o orçamento governamental é equilibrado todos os anos, desde que o imposto sobre o carvão pague os subsídios à energia solar.

A transformação que vai ocorrer nos próximos anos terá uma grande vantagem face a este exemplo. Actualmente, as centrais de energia solar podem custar mais 0,10 dólares por kilowatt-hora do que as centrais a carvão mas essas centrais vão ser muito mais baratas no futuro devido aos avanços tecnológicos. Assim, a dimensão dos subsídios necessários dentro de uma década ou duas será muito menor do que é actualmente.

Os debates sobre a energia nos Estados Unidos, Austrália e em outros países têm-se centrado, até agora, na introdução de um complicado sistema de troca de direitos de emissões de carbono. Todos os utilizadores de combustíveis fósseis teriam que comprar licenças para emitir CO2 e essas licenças seriam transaccionadas em mercados específicos. O preço de mercados das licenças seria equivalente a pagar um imposto sobre as emissões de CO2.

Infelizmente, os sistemas de troca de direitos de emissões de carbono são difíceis de gerir e não dão sinais claros sobre os preços futuros das licenças. A Europa já adoptou um sistema destes mas outras parte do mundo têm rejeitado, repetidamente, a sua introdução. De facto, os maiores sucessos da Europa na promoção de energias de baixo carbono foram conseguidos através das tarifas "feed-in" e, em alguns países, através de impostos ao carbono, e não através do sistema de troca de licenças.

Chegou a hora dos Estados Unidos, da China, da Índia e de outras grandes economias definirem como vão realizar a transição para uma economia de baixo carbono. Um pequeno e gradual imposto sobre o carvão para financiar um sistema de tarifa "feed-in" ganharia o apoio político nos Estados Unidos. Este sistema poderia ajudar a criar um consenso entre as principais economias do mundo, como a China e a Índia.

Existem soluções eficazes de longo prazo para as alterações climáticas provocadas pelo homem que politicamente aceitáveis e possíveis de implementar. Chegou a hora de as implementar.


Jeffrey D. Sachs é professor de Economia e director do Instituto da Terra na Universidade de Columbia. Sachs é também conselheiro especial do Secretário-Geral das Nações Unidas nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Fonte:

Lançado em Porto Alegre o primeiro veículo elétrico fabricado no Brasil

O primeiro veículo individual elétrico fabricado no Brasil foi apresentado oficialmente nesta quinta-feira (18) no Museu de Ciências e Tecnologia da PUC-RS, em Porto Alegre. O modelo Speedy, desenvolvido pela Joape, é uma opção de transporte alternativo e ecologicamente correto. O carrinho elimina a emissão de poluentes, pois o deslocamento é feito com energia armazenada em baterias recarregáveis.

Crianças e adultos puderam experimentar os modelos do carrinho expostos durante a apresentação. A ideia é que o veículo seja usado por guias e seguranças do museu para a locomoção em rampas de acesso de diferentes níveis. No mercado em geral, ele pode ser usado de diversas formas como patrulhamento em áreas de grande extensão, carregamento de cargas através de um reboque acoplado e outros.

A velocidade máxima do equipamento é de 20 km/h, usa carga aproximada de 24 volts, possui transmissão silenciosa e freio a disco. Segundo o coordenador do Museu de Ciências e Tecnologia da PUC, Luis Marcos Scolari, a equipe se sentiu confortável em lançar o produto no local, pois é exatamente uma junção de ciência com tecnologia.

- Esse é o presente, a sociedade já está exigindo esse tipo de atitude. Já são necessários produtos que utilizem essa forma de energia limpa e consciente - diz.

O carrinho pode percorrer pequenas distâncias, assim como auxilia o trabalho no interior das fábricas e comércio. Possui baterias seladas, potência de 500 watts e travamento eletrônico por chave ou cartão. Usado junto com um reboque que proporciona o carregamento de cargas pesadas e menos volumosas. O veículo já esteve exposto em importantes feiras do Estado, como Construsul e ExpoAcabamento, em Porto Alegre, e Mercopar, em Caxias do Sul. Atualmente, o equipamento já está sendo usado em hospitais, comércios e indústrias.
Fonte:http://www.crossbrasil.com.br/201011209643/Diversos-On-Road/lancado-em-porto-alegre-o-primeiro-veiculo-eletrico-fabricado-no-brasil.html

19 de novembro de 2010

Edifícios residenciais terão selo de eficiência energética

A criação de uma cultura no Brasil que privilegie a eficiência energética nas residencias é o objetivo que o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) pretende alcançar no médio e longo prazos, a partir de regras para etiquetagem dessas construções.

A informação foi dada nesta quarta-feira (3) à Agência Brasil pelo coordenador do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), Marcos Borges. Até o dia 13, o Inmetro lançará em consulta pública os Requisitos de Avaliação da Conformidade (RAC) em edificações residenciais. Esse tipo de construção responde por 22,1% de toda a energia consumida no país, de acordo com o Ministério de Minas e Energia.

Borges explicou que o programa de etiquetagem de prédios comerciais, públicos e de serviços foi criado há pouco mais de um ano e já envolve cerca de 30 edifícios, dos quais 14 apresentam projetos etiquetados. “Agora, nós queremos ampliar essa filosofia de etiquetagem para o âmbito residencial”.

O resultado almejado, acrescentou, é influenciar o mercado imobiliário. Um comprador, ao pesquisar as qualidades de um imóvel, poderá levar em consideração o consumo eficiente de energia.

Além de valorizar economicamente o imóvel, Borges acrescentou que o programa do Inmetro vai “colocar o Brasil no rol dos países que se preocupam com a eficiência energética nas edificações. Isso é importante porque metade da energia gasta no país é para manter as nossas edificações públicas, comerciais, residenciais e de serviços iluminadas e refrigeradas”. Segundo ele, o programa alinhará o Brasil aos principais países da Europa, além de Estados Unidos e Austrália, que já adotam esse procedimento há muitos anos.

A partir do selo de eficiência energética, o coordenador do PBE estimou que a economia de energia nos edifícios que adotarem produtos etiquetados pode variar entre 30% e 50%.

O selo de eficiência energética vai beneficiar também o construtor, na medida em que facilitará o acesso a financiamentos públicos e privados. Borges citou o Programa Procopa Turismo, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), voltado à construção de hotéis para a Copa do Mundo de 2014. O Procopa Turismo oferece melhores condições de crédito e prazo de pagamento para projetos classificados com a etiqueta de nível A, que corresponde ao menor consumo de energia.

Nos edifícios comerciais, Borges estimou que o custo da avaliação de eficiência energética de um projeto varia de R$ 15 mil a R$ 20 mil. Para edificações residenciais, ainda não há um padrão definido. A etiquetagem poderá ser feita, inclusive, em prédios já existentes. Nessa condição, porém, dificilmente seria concedida etiqueta de nível A, porque os edifícios não foram projetados com esse objetivo. “Mas, nada impede que [o edifício] faça melhorias do ponto de vista do isolamento, por exemplo, para subir na classificação”.

O regulamento final do Inmetro sobre a questão será publicado até dezembro. As construtoras já poderão, a partir daí, elaborar projetos e fazer adequações de acordo com o regulamento.

No começo, a etiquetagem será voluntária. Marcos Borges esclareceu, contudo, que alguns dos 30 programas do PBE começaram como voluntários e terminaram obrigatórios, em função da demanda da própria sociedade. “Se a sociedade entender que esse programa deve ser compulsório no futuro, ele será compulsório”, afirmou.

fonte: http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=9&id_noticia=348886

Uso sustentável de energia reduziria gastos em R$ 85 bilhões



Com a adoção de projetos e equipamentos de conservação de energia, a indústria brasileira pode economizar R$ 85 bilhões em 20 anos. A estimativa consta de estudo divulgado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).


Segundo o estudo, em 20 anos, haverá economia acumulada de 9,2 milhões de TEP (Toneladas Equivalente de Petróleo) - unidade que possibilita somar várias fontes de energia, como elétrica e gás natural. Com a queda no consumo de energia, o País deixará de emitir 239 milhões de toneladas de carbono.


Para chegar ao resultado, o estudo considerou que a redução no consumo será obtido se a indústria do País utilizasse hoje tecnologia já disponível de conservação de energia, o que levará ao setor a economizar 6,4% do que será consumido em 20 anos. Se a indústria operasse em condições ideais, ou seja, usando a tecnologia de ponta disponível na conservação de energia, com acesso a crédito facilitado, pessoal qualificado e oferta adequada das fontes energéticas, a economia chegaria a 25,5%.


As estimativas dos benefícios da redução se baseiam na premissa de que a economia brasileira crescerá em média 4,5% ao ano até 2030, e de que os preços das fontes de energia serão corrigidos de acordo com as previsões do governo

15 de novembro de 2010

Arquiteto diz que energia solar pode ser financiada por emissões


Norbert Lechner é professor da Faculdade de Arquitetura, Design e Construção da Universidade de Auburn, nos EUA, e autor do livro "Heating, Cooling, Lighting: Sustainable Design Methods for Architects", uma bíblia da arquitetura sustentável. Ele veio ao Brasil para o 3º Simpósio Brasileiro da Construção Sustentável, que termina nesta terça-feira em São Paulo, e falou ao Estadão.

Estadão - Em seu livro Heating, Cooling and Lightening, você afirma que as construções são responsáveis por 48% de toda a energia consumida no mundo (40% para a manutenção dos prédios e 8% para a construção propriamente dita). Você acredita que o setor da construção civil terá incentivos para mudar esse cenário nos próximos anos mesmo que os líderes reunidos em Cancún não decidam por um acordo legalmente vinculante sobre emissões?

Lechner – A popularidade do sistema LEED (sistema de certificação) nos EUA indica um interesse crescente pelas construções sustentáveis. Muitos, senão a maioria, dos atores do setor de construção estão interessados no que chamamos “green building” nem tanto por questões ideológicas, mas porque querem estar preparados para ganhar dinheiro com aquilo que acreditam ser o futuro do setor. Com base nos resultados de negociações internacionais passadas sobre aquecimento global, eu não espero que acordos internacionais sejam a resposta para o problema. Acho que cada país tem de estipular uma taxa sobre o carbono. Quando alguns países-chave adotarem uma taxa, os outros os seguirão.

Estadão – A casa “zero em energia” (zero energy) é um projeto realmente possível? Temos as ferramentas para construir casas que consumam quase nada de energia?

Lechner – Do ponto de vista técnico, ela é possível, sim, tanto que já existem projetos. As construções zero em energia são baseadas em duas estratégias: eficiência energética e uso de energia renovável. Normalmente, o consumo de energia é reduzido em 80% por medidas de eficiência energética e os 20% que sobram podem ser produzidos por células fotovoltaicas, ou seja, energia solar. E esta pode se tornar economicamente viável se taxarmos o carbono.

Estadão – Do ponto de vista arquitetônico, é mais difícil criar um projeto sustentável em cimas tropicais ou em cimas temperados?

Lechner - Os climas temperados são muito complicados porque raramente são realmente temperados. São quentes no verão e muito frios no inverno. Portanto, as construções têm de ser desenhadas para atender a demandas opostas: aquecer no inverno e resfriar no verão. Isso inclui, por exemplo, dominar mecanismos de sombreamento a ponto de deixar o sol do inverno passar para o ambiente, mas não o sol do verão. Quanto aos climas tropicais, há dois tipos: quentes e secos e quentes e úmidos. Os primeiro são mais fáceis, porque neles as técnicas de resfriamento econômicas em energia funcionam muito bem. Nos climas quentes e úmidos, isso não acontece. Portanto, em locais de clima equatorial as construções têm de ser desenhadas para minimizar o uso de ar condicionado.

Fonte: Karina Ninni - estadao.com.br

Energia: Comissão apresenta nova estratégia para 2020

A Comissão apresentou ontem a sua nova estratégia para uma energia competitiva, sustentável e segura. A Comunicação «Energia 2020» define as prioridades em termos de energia para os próximos dez anos e as acções a empreender perante os desafios decorrentes da necessidade de poupar energia, conseguir um mercado com preços competitivos e aprovisionamento seguro, impulsionar a liderança tecnológica e negociar eficazmente com os nossos parceiros internacionais.

O Comissário responsável pela pasta da Energia, Günther Oettinger, declarou: «O desafio da energia é um dos maiores testes para todos nós. Lançar o nosso sistema energético numa nova senda, mais sustentável e segura, poderá demorar tempo, mas impõe-se que tomemos decisões ambiciosas desde já. Para termos uma economia eficiente, competitiva e hipocarbónica, devemos europeizar a nossa política de energia e concentrar-nos em algumas prioridades, poucas, porém urgentes.»

Na comunicação hoje adoptada, a Comissão identifica cinco prioridades principais, com base nas quais e na acção apresentada avançará com iniciativas e propostas legislativas concretas nos próximos 18 meses. Esta comunicação define também a agenda para a discussão entre os Chefes de Estado e de Governo na primeira Cimeira da UE sobre Energia, a 4 de Fevereiro de 2011.

Poupança de energia

A Comissão propõe-se centrar as suas iniciativas nos dois sectores com maior potencial de poupança de energia: transportes e edifícios. Para ajudar os proprietários e as entidades locais a financiarem medidas de restauração de imóveis e de poupança de energia, a Comissão vai propor incentivos ao investimento e instrumentos financeiros inovadores, até meados de 2011. O sector público deve ter em consideração a eficiência energética aquando da adjudicação de obras e da aquisição de serviços ou produtos. No sector da indústria, os certificados de eficiência energética poderão ser um incentivo para as empresas investirem em tecnologia menos consumidora de energia.

Mercado integrado pan-europeu de energia com infra-estruturas

A Comissão estabelece uma data-limite para a conclusão do mercado interno da energia. Em 2015, nenhum Estado-Membro deverá estar isolado. Ao longo dos próximos dez anos, é necessário investir um total de 1 bilião de euros na infra-estrutura energética da União Europeia. Para acelerar projectos estratégicos essenciais da UE, a Comissão propõe licenças de construção simplificadas e mais curtas, estabelecendo prazos máximos até à autorização final e ao financiamento por parte da União. Os pedidos relativos às licenças necessárias para a execução de um projecto devem ser coordenados por um «balcão único».

27 Estados, uma só voz no mundo para a energia

Propõe-se que a UE coordene a sua política de energia em relação a países terceiros, especialmente nos seus contactos com parceiros fundamentais. No âmbito da política de vizinhança, a Comissão propõe que o Tratado da Comunidade da Energia seja alargado e aprofundado para integrar países que desejem participar no mercado da energia da UE. É também anunciada uma grande cooperação com África, visando proporcionar energia sustentável a todos os cidadãos deste continente.

Liderança europeia em tecnologia e inovação energéticas

Vão ser lançados quatro grandes projectos em áreas-chave para a competitividade da Europa, como as novas tecnologias para redes inteligentes e armazenamento de electricidade, a investigação sobre biocombustíveis de segunda geração e a parceria «cidades inteligentes» para promover a poupança de energia nas zonas urbanas.

Energia segura, sem riscos e a bom preço, através de consumidores activos

A Comissão propõe novas medidas em matéria de comparação de preços, mudança de fornecedor e facturação clara e transparente.

Antecedentes:

Os objectivos da UE em matéria de energia foram incorporados na «Estratégia Europa 2020 para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo», adoptada pelo Conselho Europeu em Junho de 2010. A UE visa, nomeadamente, objectivos ambiciosos nos domínios da energia e das alterações climáticas para 2020: reduzir em 20% as emissões de gases com efeito de estufa, aumentar para 20% a parte das energias renováveis e conseguir um melhoramento de 20% na eficiência energética.

11.11.2010

Fonte: europa.eu


10 de novembro de 2010

Iluminação pública feita com energia limpa - É possível e economicamente viável!

Abaixo uma grande solução para os problemas finaneiros dos municipios, quanto à iluminação publica, onde normalmente, o consumidor acaba pagando esse custo.Além disso constitui-se em uma fonte limpa de energia, totalmente renovável e com menor impacto ambiental, ou seja, uma alternativa totalmente sustentável sob todas as óticas possíveis.

POSTE DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA 100% ALIMENTADO POR ENERGIA EÓLICA E SOLAR

Empresário cearense desenvolve o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energia eólica e solar


Não tem mais volta. As tecnologias limpas – aquelas que não queimam combustível fóssil – serão o futuro do planeta quando o assunto for geração de energia elétrica. E, nessa onda, a produção eólica e solar sai na frente, representando importantes fatias na matriz energética de vários países europeus, como Espanha, Alemanha e Portugal, além dos Estados Unidos. Também está na dianteira quem conseguiu vislumbrar essa realidade, quando havia apenas teorias, e preparou-se para produzir energia sem agredir o meio ambiente. No Ceará, um dos locais no mundo com maior potencial energético (limpo), um ‘cabeça chata’ pretende mostrar que o estado, além de abençoado pela natureza, é capaz de desenvolver tecnologia de ponta.
O professor Pardal cearense é o engenheiro mecânico Fernandes Ximenes, proprietário da Gram-Eollic, empresa que lançou no mercado o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energias eólica e solar. Com modelos de 12 e 18 metros de altura (feitos em aço), o que mais chama a atenção no invento, tecnicamente denominado de Produtor Independente de Energia (PIE), é a presença de um avião no topo do poste.
Feito em fibra de carbono e alumínio especial – mesmo material usado em aeronaves comerciais –, a peça tem três metros de comprimento e, na realidade, é a peça-chave do poste híbrido. Ximenes diz que o formato de avião não foi escolhido por acaso. A escolha se deve à sua aerodinâmica, que facilita a captura de raios solares e de vento. "Além disso, em forma de avião, o poste fica mais seguro. São duas fontes de energia alimentando-se ao mesmo tempo, podendo ser instalado em qualquer região e localidade do Brasil e do mundo", esclarece.
Tecnicamente, as asas do avião abrigam células solares que captam raios ultravioletas e infravermelhos por meio do silício (elemento químico que é o principal componente do vidro, cimento, cerâmica, da maioria dos componentes semicondutores e dos silicones), transformando-os em energia elétrica (até 400 watts), que é armazenada em uma bateria afixada alguns metros abaixo. Cumprindo a mesma tarefa de gerar energia, estão as hélices do avião. Assim como as naceles (pás) dos grandes cata-ventos espalhados pelo litoral cearense, a energia (até 1.000 watts) é gerada a partir do giro dessas pás.
Cada poste é capaz de abastecer outros três ao mesmo o tempo. Ou seja, um poste com um "avião" – na verdade um gerador – é capaz de produzir energia para outros dois sem gerador e com seis lâmpadas LEDs (mais eficientes e mais ecológicas, uma vez que não utilizam mercúrio, como as fluorescentes compactas) de 50.000 horas de vida útil dia e noite (cerca de 50 vezes mais que as lâmpadas em operação atualmente; quanto à luminosidade, as LEDs são oito vezes mais potentes que as convencionais). A captação (da luz e do vento) pelo avião é feita em um eixo com giro de 360 graus, de acordo com a direção do vento. À prova de apagão.
Por meio dessas duas fontes, funcionando paralelamente, o poste tem autonomia de até sete dias, ou seja, é à prova de apagão. Ximenes brinca dizendo que sua tecnologia é mais resistente que o homem: "As baterias do poste híbrido têm autonomia para 70 horas, ou seja, se faltarem vento e sol 70 horas, ou sete noites seguidas, as lâmpadas continuarão ligadas, enquanto a humanidade seria extinta porque não se consegue viver sete dias sem a luz solar".
O inventor explica que a idéia nasceu em 2001, durante o apagão. Naquela época, suas pesquisas mostraram que era possível oferecer alternativas ao caos energético. Ele conta que a caminhada foi difícil, em função da falta de incentivo – o trabalho foi desenvolvido com recursos próprios. Além disso, teve que superar o pessimismo de quem não acreditava que fosse possível desenvolver o invento. "Algumas pessoas acham que só copiamos e adaptamos descobertas de outros. Nossa tecnologia, no entanto, prova que esse pensamento está errado. Somos, sim, capazes de planejar, executar e levar ao mercado um produto feito 100% no Ceará. Precisamos, na verdade, é de pessoas que acreditem em nosso potencial", diz.
Mas esse não parece ser um problema para o inventor. Ele até arranjou um padrinho forte, que apostou na ideia: o governo do estado. O projeto, gestado durante sete anos, pode ser visto no Palácio Iracema, onde passa por testes. De acordo com Ximenes, nos próximos meses deve haver um entendimento entre as partes. Sua intenção é colocar a descoberta em praças, avenidas e rodovias.
O empresário garante que só há benefícios econômicos para o (possível) investidor. Mesmo não divulgando o valor necessário à instalação do equipamento, Ximenes afirma que a economia é de cerca de R$ 21.000 por quilômetro/mês, considerando-se a fatura cheia da energia elétrica. Além disso, o custo de instalação de cada poste é cerca de 10% menor que o convencional, isso porque economiza transmissão, subestação e cabeamento. A alternativa teria, também, um forte impacto no consumo da iluminação pública, que atualmente representa 7% da energia no estado. "Com os novos postes, esse consumo passaria para próximo de 3%", garante, ressaltando que, além das vantagens econômicas, existe ainda o apelo ambiental. "Uma vez que não haverá contaminação do solo, nem refugo de materiais radioativos, não há impacto ambiental", finaliza Fernandes Ximenes.

fonte: http://empresaverde.blogspot.com/2010/09/poste-de-iluminacao-publica-100.html

9 de novembro de 2010

Governo Federal contempla energia sustentável no programa Minha Casa Minha Vida

A reportagem abaixo mostra um ótimo exemplo de como o governo pode estimular a adoção de energias limpas através de programas sociais. Vale a pena pensar e discutir como essa iniciativa pode ser expandida para outros programas.


Minha Casa, Minha Vida terá 400 mil moradias com energia solar

A secretária Nacional de Habitação, Inês Magalhães, disse na semana passada que 400 mil casas a serem construídas em 2011 dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, terão energia solar. Ela participou do seminário Planejamento Urbano e Construção Civil Sustentáveis com Eficiência Energética para Áreas de Baixa Renda das Américas, no Palácio do Itamaraty, no centro do Rio.

"No próximo ano, vamos contratar mais dois milhões de moradias em todo o Brasil, sendo 1,2 milhão para famílias com renda de zero a três salários mínimos. As casas com esse perfil, construídas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, serão obrigadas a ter a energia solar para aquecimento de água, basicamente chuveiro, o que dá em torno de 400 mil casas", disse Inês. Ela lembrou que algumas casas, como as de Londrina, no Paraná, já possuem o sistema.

O seminário é promovido pelo Ministério das Cidades e o Ministério das Relações Exteriores, em parceria com Departamento de Estado, Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA, American Planning Association e apoio do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS).

A iniciativa para discutir sustentabilidade na construção civil foi proposta pelo presidente dos EUA, Barack Obama, durante a última Cúpula das Américas, em abril de 2009. As conversas ocorreram com o Brasil durante o Fórum Urbano Mundial 5, em março deste ano, quando o ministro recebeu representantes do governo de Obama. Depois, Inês Magalhães esteve nos Estados Unidos, onde apresentou o programa Minha Casa, Minha Vida.

Fonte: http://www.diariodovale.com.br/noticias/1,30939.html

8 de novembro de 2010

Sua lâmpada será assim


Avanços tecnológicos e queda nos preços dos LEDs prometem revolucionar o que entendemos por iluminação.

A Sala São Paulo, casa da Orquestra Sinfônica do Estado e um dos mais belos edifícios da capital paulista, trocou seu sistema de iluminação externa há pouco menos de um ano. Os contornos da antiga estação de trem no centro da cidade agora são realçados por uma nova tecnologia, mais econômica, duradoura e versátil que as tradicionais lâmpadas incandescentes. Trata-se da iluminação com LEDs, sigla em inglês para diodos emissores de luz.

Os LEDs não são propriamente uma novidade. As primeiras referências às propriedades luminosas de certos semicondutores datam do começo do século passado. Depois de um intervalo de décadas, nos anos 60 surgiram as primeiras aplicações práticas para a tecnologia, que passou a ser restrita a aplicações industriais e alguns poucos eletroeletrônicos. O avanço decisivo viria somente em 1995: naquele ano, viu-se pela primeira vez um LED capaz de emitir luz branca. A descoberta abriu caminho para tornar obsoleta a lâmpada incandescente, inventada por Thomas Edison 161 anos atrás.

A Sala São Paulo calcula que o novo sistema, composto de 2 400 luminárias e 200 conjuntos de lâmpadas externas de LEDs, consuma 75% menos energia elétrica que o anterior. A energia elétrica economizada equivale ao consumo de 950 residências ao longo de um ano. A diferença não está somente na conta de luz. A tecnologia de LEDs tem vida útil estimada em 50 000 horas, ante apenas 1 000 horas das lâmpadas incandescentes.

fonte: http://info.abril.com.br/ti-verde/sua-lampada-sera-assim.shtml



4 de novembro de 2010




Motivados pela possibilidade de criar uma embarcação que não poluísse o ambiente, alunos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) criaram um barco movido por energia solar. A equipe Vento Sul, inspirada em uma palestra na universidade, em abril de 2009, resolveu criar o Catamarã. A intenção era mostrar que um barco elétrico é viável, não polui e não precisa de manutenção constante. As placas fotoelétricas recebem a luz e repassam a um controlador de carga, que distribui ao motor e à bateria. Quando não há sol, o motor usa a energia armazenada na bateria.
O primeiro projeto, de fibra de vidro, material considerado pesado, venceu o Desafio Solar Brasil, competição que ocorreu em Paraty (RJ), em julho do mesmo ano. Com o fim das aulas, alguns alunos se formaram, e a equipe foi reformulada. Com novos integrantes, vieram novas ideias e uma outra embarcação foi construída. Com custo de R$ 60 mil, financiados por empresas, veio o Guarapuvu.
- Precisávamos de um barco superior. Investimos em todas as tecnologias possíveis, trocamos o material da carcaça, que agora é de fibra de carbono, muito mais leve – conta Tássio Simioni, estudante de Engenharia Química e coordenador da equipe.
Com a criação, o grupo de 20 estudantes estava pronto para participar do Frisian Solar Challenge, a competição mundial de barcos solares, que aconteceu em julho, na Holanda. Na seleção, dividida por classes, a equipe Vento Sul ficou na 17ª posição entre 26 competidores, mas ganhou destaque como embarcação mais leve e melhor equipe novata não europeia.
_ Tivemos problemas técnicos por falta de testes, o que comprometeu a classificação. Mas ganhamos elogios, por aplicar técnicas diferenciadas.

Fonte: Jornal Zero Hora, 2 de novembro de 2010.